Desafio da Escrita III: Assassinato

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DESAFIO III: Escreva uma cena de assassinato

Ação. Terror. Drama. Suspense. Comédia. Ficção Científica. Você escolhe.

Existem milhões de referências em filmes, séries, livros, quadrinhos, jogos. Com certeza você já viu alguns milhares. O que você pode criar de diferente para esse desafio?

Decida por um gênero e estude os conceitos básicos se baseando em filmes consagrados do gênero escolhido. Lembre de ditar o ritmo através da descrição das ações e o tom a partir da ambientação.

Resumindo, escreva uma cena de assassinato de até duas(2) páginas.

E depois, publique seu resultado em nosso grupo.

Em caso de dúvidas, utilize a seção de comentários abaixo ou da publicação do Facebook.

NÃO SABE O QUE É O DESAFIO DA ESCRITA? 

O Desafio da Escrita (Scene-Writing Month) é uma criação do site Go Into The Story que decidi adaptar e trazer para o Roteirista Insone. O desafio se propõe a apresentar, uma vez por semana, uma proposta de cena para roteiristas iniciantes ou profissionais para exercitarem a escrita e criatividade. Para aqueles que cumprirem o desafio e gostarem do resultado do próprio trabalho, publiquem suas cenas no nosso grupo do Facebook para receber o feedback de outros membros. Dessa forma, você também pode ler outros trabalhos e oferecer suas impressões, sempre de maneira respeitosa.

Mas por que esse desafio? Um roteiro de longa-metragem tem, em média, de 90 a 110 páginas, com cenas que variam entre 1 a 2 páginas. Sendo assim, um roteirista deve escrever 70 a 100 cenas em um roteiro. Quanto mais treinamos nossa habilidade de escrever cenas, mais evoluímos como roteiristas. Inclusive, em muitos trabalhos a ideia de cena virá de outra pessoa, como o showrunner ou autor da novela, em forma de escaleta e será trabalho do roteirista/colaborador escrever a cena pedida.

Antes de apresentar o primeiro desafio, é importante dar uma recomendação básica: existe um limite máximo de 2 páginas por cena. Além de ser o padrão na maioria dos projetos, precisamos ser justos com todos os colegas que lerão os trabalhos e não abusar da boa vontade e paciência. Bom, vamos ao trabalho!

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Entrevista com Carina Schulze – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Carina Schulze é roteirista de “Gaby Estrella – O Filme” e showrunner de “Sem Volta”. Também atua como produtora de filmes e séries, como “Juacas” e “The Book of Life”.

Entrevista com Carina Schulze – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.

Desafio da Escrita II: Perseguição

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DESAFIO II: Escreva uma cena de perseguição sem utilizar carros

É muito fácil pensar em uma perseguição de carros, mas e outras formas de se locomover? Existem centenas de possibilidades: a pé, carrinho de golfe, caiaques, balões, etc.

E você? O que você pode inventar para uma cena de perseguição? Crie personagens, ambientação, ação dramática e/ou utilize elementos de outros projetos pessoais. Lembre-se de impor através da escrita o ritmo e tensão da cena. Explore as descrições de cena curtas e rápidas.

Esse exercício também é ótimo para aprimorar sua utilização dos SHOTS (mini-cabeçalhos dentro de uma cena maior) para focar em diferentes posições/ambientes em sua cena de perseguição.

Resumindo, escreva uma cena de perseguição SEM CARROS de até duas(2) páginas.

E depois, publique seu resultado em nosso grupo.

Em caso de dúvidas, utilize a seção de comentários abaixo ou da publicação do Facebook.

NÃO SABE O QUE É O DESAFIO DA ESCRITA? 

O Desafio da Escrita (Scene-Writing Month) é uma criação do site Go Into The Story que decidi adaptar e trazer para o Roteirista Insone. O desafio se propõe a apresentar, uma vez por semana, uma proposta de cena para roteiristas iniciantes ou profissionais para exercitarem a escrita e criatividade. Para aqueles que cumprirem o desafio e gostarem do resultado do próprio trabalho, publiquem suas cenas no nosso grupo do Facebook para receber o feedback de outros membros. Dessa forma, você também pode ler outros trabalhos e oferecer suas impressões, sempre de maneira respeitosa.

Mas por que esse desafio? Um roteiro de longa-metragem tem, em média, de 90 a 110 páginas, com cenas que variam entre 1 a 2 páginas. Sendo assim, um roteirista deve escrever 70 a 100 cenas em um roteiro. Quanto mais treinamos nossa habilidade de escrever cenas, mais evoluímos como roteiristas. Inclusive, em muitos trabalhos a ideia de cena virá de outra pessoa, como o showrunner ou autor da novela, em forma de escaleta e será trabalho do roteirista/colaborador escrever a cena pedida.

Antes de apresentar o primeiro desafio, é importante dar uma recomendação básica: existe um limite máximo de 2 páginas por cena. Além de ser o padrão na maioria dos projetos, precisamos ser justos com todos os colegas que lerão os trabalhos e não abusar da boa vontade e paciência. Bom, vamos ao trabalho!

Entrevista com Leandro Assis – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Leandro Assis é roteirista de “A Mulher Invisível”, “Magnífica 70” e “Muitos Homens num Só”, além de professor na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Quer mais? Acompanhe a entrevista que Bruno Bloch e Filippo Cordeiro fizeram com o roteirista.

Entrevista com Leandro Assis – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.

Desafio da Escrita I: Filme Favorito

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O Desafio da Escrita (Scene-Writing Month) é uma criação do site Go Into The Story que decidi adaptar e trazer para o Roteirista Insone. O desafio se propõe a apresentar, uma vez por semana, uma proposta de cena para roteiristas iniciantes ou profissionais para exercitarem a escrita e criatividade. Para aqueles que cumprirem o desafio e gostarem do resultado do próprio trabalho, publiquem suas cenas no nosso grupo do Facebook para receber o feedback de outros membros. Dessa forma, você também pode ler outros trabalhos e oferecer suas impressões, sempre de maneira respeitosa.

Mas por que esse desafio? Um roteiro de longa-metragem tem, em média, de 90 a 110 páginas, com cenas que variam entre 1 a 2 páginas. Sendo assim, um roteirista deve escrever 70 a 100 cenas em um roteiro. Quanto mais treinamos nossa habilidade de escrever cenas, mais evoluímos como roteiristas. Inclusive, em muitos trabalhos a ideia de cena virá de outra pessoa, como o showrunner ou autor da novela, em forma de escaleta e será trabalho do roteirista/colaborador escrever a cena pedida.

Antes de apresentar o primeiro desafio, é importante dar uma recomendação básica: existe um limite máximo de 2 páginas por cena. Além de ser o padrão na maioria dos projetos, precisamos ser justos com todos os colegas que lerão os trabalhos e não abusar da boa vontade e paciência. Bom, vamos ao trabalho…

DESAFIO I: Escolha um de seus filmes favoritos e escreva uma cena original

Faça uma lista com todos os filmes que você gosta e escolhe um deles para esse desafio. Reveja o filme e pense em uma nova cena utilizando os personagens principais. Mas precisa ser uma cena que acrescente algo para a história. Uma revelação. Ou um ponto de virada. Ou um backstory. Talvez um flashback (se o filme já utiliza essa linguagem).

Lembre-se de respeitar os personagens, o universo, o tom, ritmo, tudo que já foi construído pelo roteirista, diretor e atores. Esse tipo de exercício é ótimo para quem pretende escrever spec scripts ou trabalhar como colaborador em salas de roteiristas.

Resumindo, escreva uma cena de até duas(2) páginas de seu filme favorito.

E depois, publique seu resultado em nosso grupo.

Em caso de dúvidas, utilize a seção de comentários abaixo ou da publicação do Facebook.

O Círculo da História – Teoria de Dan Harmon

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Tecnicamente falando o Círculo da História é uma ferramenta desenvolvida pelo roteirista Dan Harmon, responsável pelas séries Community e Rick and Morty. Mas se utiliza dos conceitos básicos de estrutura criados por Aristóteles, Christopher Vogler e tantos outros autores ao longo dos séculos. O que Dan Harmon tem a oferecer em sua ferramenta é uma simplificação da estrutura narrativa, excelente para obras curtas como seriados de meia hora, curtas, webséries, contos e, inclusive, longa-metragens mais enxutos.

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Contar boas histórias é se utilizar de uma linguagem universal. Todos no mundo entendem imagens, personagens, eventos e significados. Quando contamos sobre o que fizemos no fim de semana, talvez não seja tão envolvente, mas estamos contando uma história. É natural, está dentro de nós a habilidade para contar histórias. E essas histórias seguem o círculo da história criado por Dan Harmon, mesmo sem nunca termos escutado. Mas quando falamos em contar BOAS histórias, precisamos entender a estrutura básica de oito passos:

1. YOU (Você)

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A essência desse passo é o protagonista. Não precisa ser uma única pessoa. Pode ser uma família ou time, por exemplo. Então, antes de contar uma história, pense em seu protagonista. Defina sua personalidade, seu ambiente de trabalho, sua casa, seus amigos, etc. Tenha claro em sua cabeça quem ele é.

E como a gente faz a audiência se conectar com um personagem? Mostre alguém. E se houver mais de uma opção, o público vai escolher aquele que mais se identificar. Mas caso haja várias opções e isso gerar uma dúvida, o público vai escolher aquele que sentir mais pena. Mostre um guaxinim sendo perseguido por um urso, o público vai se identificar com o guaxinim. Mostre uma sala cheia de embaixadores e o Presidente entra e tropeça no tapete. O público vai se identificar com o Presidente.

Muitas histórias modernas passeiam de personagem a personagem no início até que finalmente nos identificamos com alguém. Esse passeio pode funcionar, mas se demorar muito a audiência vai se distanciar e perder o interesse. Mas eu não perderia tempo experimentando isso. O mais fácil a se fazer é mostrar um personagem que faz o que o público faria. Ele pode ser um assassino, um guaxinim, um parasita, mas faça ele agir da mesma forma que a audiência agiria na mesma situação. Em Duro de Matar, o público se identifica logo com John McClaine, um passageiro de um vôo que não gosta de voar.

Caso precise de mais informações sobre a criação de personagem, aconselho a leitura de outros dois artigos que escrevi:

O que é um Personagem?

Como criar personagens complexos

 

2. NEED (Necessidade)

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Durante a vida, sempre teremos diferentes necessidades. Dinheiro. Amor. Aprovação. Comida. Assim como nossos personagens.  O segundo passo para contar uma boa história é pensar no que nossos personagens precisam. O que eles querem? O que desejam? Isso é o que fará nosso protagonista partir para o próximo ponto.

Esse é o momento em que mostramos que há algo fora do lugar, não importa se é algo particular ou universal. Se essa é uma história sobre a guerra entre a Terra e Marte, esse seria o momento de mostrar as naves dos marcianos se aproximando do nosso planeta. Mas se essa for uma comédia romântica, talvez nossa protagonista esteja em um jantar com alguém que acabou de conhecer e as coisas não vão como o esperado.

Nem tudo está perfeito. As coisas poderiam melhorar. Nosso protagonista se pergunta ou demonstra porque ele não pode ser mais legal, mais rico, mais rápido ou mais amável. Nesse ponto também há um “chamado para a aventura”, como um carteiro misterioso que aprece que explica que um lavador de carros foi recrutado pela CIA.

Frequentemente, o protagonista recusa o chamado. Ele não quer avançar até o passo 3. Ele está feliz ou acomodado como lavador de carros. Essa recusa não é necessária, mas é outra ferramenta que usamos para estreitar a identificação. Todos nós temos medo de mudanças.

Lembre-se: chamados para a aventura não precisam vir na forma de uma mensageiro e seus desejos não precisam ser verbalizados.

Por exemplo, em Duro de Matar a gente percebe que o casamento de John está em risco. Sua esposa conseguiu um emprego em Los Angeles e ele se recusou a ir com ela. Agora ele está em um avião indo visitá-la no Natal. Ela usa o nome de solteira dentro da nova empresa. Alguma coisa está errada. Se a gente pudesse ler a mente do protagonista, iríamos entender que ele gostaria de fazer algo para salvar o casamento.

Recomendo a leitura do artigo sobre Desejo x Necessidade para entender melhor a diferença entre as duas características de um bom personagem.

Desejo x Necessidade

3. GO (Partir)

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A necessidade nos leva atrás do que queremos. Se você fica com fome, você vai atrás de um sanduíche. Se você passa mal, você vai para o médico. Esse passo movimenta a história. Também pode ser chamado de “Ponto de Virada”. Se há uma necessidade, mas o protagonista não vai atrás, a história acaba. Tente criar uma necessidade tão potente que seja impossível para o protagonista ficar parado.

Sobre o que é sua história? É sobre uma mulher fugindo de um ciborgue assassino? Então esse é o ponto em que ela começa a realmente correr. Se essa é uma história de crescimento, esse é o ponto em que protagonista dá seu primeiro beijo ou descobre o primeiro pêlo pubiano. Se é uma história de serial killer, essa é a primeira morte ou o aparecimento de um cadáver.

O segredo é imaginar como seria seu pôster. O que você vai vender para as pessoas? Um tubarão assassino? O espaço sideral? A máfia? Amor verdadeiro? Esse é o momento em que o que está mostrado no pôster começa a se tornar realidade. Passo 1, você é o xerife de uma pequena cidade. Passo 2, você encontra um cadáver cheio de mordidas estranhas. Passo 3, Benza Deus! É um lobisomem!

Essa nova jornada que se inicia é uma forma de mergulhamos em nosso inconsciente e colocar nossa vida no lugar. Ajeitar o que precisamos consertar. Uma criança acorda e agora ela se transformou no Tom Hanks, como em Big. Terroristas fazem um atentado durante o Natal e agora John McClaine tem a chance de salvar seu casamento. Neo acorda coberto de gosma em um mundo dominado por máquinas. Seu desejo de ser um hacker e lutar contra o sistema vai ser colocado à prova.

Não importa o quão pequeno ou grande o espectro da sua história, o que importa é o contraste entre esses dois universos.

Para entender um pouco mais:

Ponto de Virada

4. SEARCH (Buscar)

Dan Harmon Story Circle Can Help You Shape a Better Story - Rick and Morty

Aqui é que as coisas ficam complicadas. A história se mantém ativa. O protagonista procura pelo o que ele precisa e enfrentará diversos obstáculos para chegar onde quer ou encontrar aquilo que deseja. É nesse momento que conhecemos seus aliados e inimigos.

Christopher Vogler chama esse passo de amigos, oponentes e aliados. Alguns produtores chamam de “fase de treinamento”. Mas eu prefiro me ater a ideia de Joseph Campbell: A Estrada das Tentativas.  No livro “O Herói de Mil Faces”, Campbell evoca a imagem de um trato digestivo, desestruturando o protagonista, injetando-o com neuroses e mostrando seus medos e desejos. O objetivo dentro dessa fase é simples.

Em Duro de Matar, John McClaine é aconselhado por um terrorista que ele mostrou piedade: “A próxima vez que tiver a chance de matar alguém, não hesite”. John atira diversas vezes nele e agradece pelo conselho. O protagonista começou a se revelar, pouco a pouco, mostrando seu cowboy interior.

 

5. FIND (Encontrar)

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Esse é o momento em que ele descobre alguma fraqueza ou que passa por uma crise. Encontrar o que ele precisava o faz abrir os olhos sobre algo ainda mais profundo dentro dele.

A Estrada da Tentativas prepara o protagonista para esse passo. Seu protagonista acaba de encontrar o que ele estava procurando, mesmo se não for exatamente o que ele sabia que estava procurando.

Se você olhar para o círculo, verá que este passo está bem ao centro, na parte inferior. Imagine que seu protagonista começou no topo e lutou para chegar até aqui. Este é o local onde a força gravitacional puxou seu personagem e por um breve período de tempo nos sentimos leves. Este é o momento para grandes revelações e vulnerabilidade. Se você está escrevendo um thriller, este é o momento de colocar uma grande virada.

Com um ponto de virada ou não, esse é um momento de passagem. Tudo que vier depois desse ponto terá outra direção (para cima). Mas tenha em mente que ninguém vai ser arrastado adiante. O protagonista precisa tomar uma decisão, e depois ascender.

Pode ser algo bom ou ruim. Em um filme noir ou do James Bond, esse pode ser um momento mais íntimo com outro personagem, se você entende o que quero dizer. Pode ser um gesto, uma ideia, uma arma, um diamante, um destino, ou só um momento de liberdade daquele monstro que não vai parar de persegui-lo.

Em Duro de Matar, John McClaine, todo cortado de vidro, está com o pé ensanguentado dentro da pia. É nesse momento em que ele finalmente percebe a verdadeira extensão de seu amor por sua esposa, e tudo o que tinha feito de errado. Ele foi muito cabeça-dura. Ele usa um walkie-talkie que conseguiu no passo anterior para dar uma mensagem para sua esposa: “Ela me ouviu dizer “te amo” milhares de vezes… mas ela nunca me escutou dizer “me perdoa”.

6. TAKE (Pegar)

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Como você esperava em um modelo circular, vai acontecer muita simetria. A jornada de subida terá muitas referências à jornada de descida.

Existe uma grande, grande consequência após o personagem decidir voltar ao seu mundo comum. Na verdade, em um bom filme de ação, essa é a hora em que o protagonista leva muita porrada, literalmente ou metaforicamente.

Após ter feito as pazes a respeito de seu casamento, John McClaine agora se pergunta porque Hans Gruber, o líder dos terroristas, estava tão interessado pelos detonadores. O protagonista volta para o terraço e descobre que o prédio está cheio de explosivos. E com essa descoberta vem uma consequência: o terrorista vai pra cima dele e os dois lutam até a morte.

Em uma história de amor, esse é o momento em que o casal se separa. Agora vem a lavação de roupa suja. A tristeza. Uma relação fugaz com outra pessoa. Até que, finalmente, o casal percebe que não há nada mais importante que o outro.

Quando você percebe que alguma coisa é MUITO importante, mais importante que VOCÊ, você ganha controle total do seu destino. Na primeira metade do círculo, o protagonista estava reagindo à forças do universo, se adaptando, mudando, buscando. Agora ele se tornou parte do universo. Se tornou aquilo que faz as coisas acontecerem.

7. RETURN (Voltar)

Para alguns personagens, esse passo é tão fácil quanto abraçar um espantalho e dizer adeus. Para outros, voltar pra casa não vai ser tão fácil.

Os habitantes da parte inferior do círculo não querem que o protagonista volte para a luz assim como as pessoas do lado de cima não queriam que ele partisse em primeiro lugar. Você pode encontrar qualquer explicação para isso, mas o objetivo de cada um é manter os dois “mundos” separados, o que pode incluir evitar que qualquer um possa ver um dos lados e sobreviver.

Esse é um ótimo momento para um perseguição de carro. Ou, em uma história de amor, o protagonista se dá conta do que realmente é importante e sai correndo atrás de sua amada, que está prestes a embarcar em um avião. John McClaine, que tinha medo de avião, agora se enrosca em uma mangueira de bombeiro e pula de um prédio explodindo. Por mais estranho que pareça, ele logo vai perceber que caiu justamente no mesmo local em que a festa de Natal tinha começado.

8. CHANGE (Mudança)

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Em um filme de ação, é garantido uma batalha final. Em um filme de julgamento, surge a prova final que faz o assassino confessar. Em uma história de amor, o protagonista para o avião, sobe a bordo e se declara para sua amada: “Quando a gente se conheceu, eu achei que você era perfeita. E me acostumei com isso até que eu descobri que você não era e a gente se separou. Mas depois eu percebi que EU também não era perfeito. Ninguém é e eu não quero ser. Só quero você. Vamos morar juntos. Eu durmo na parte ruim do colchão. Você pode levar seu gato, eu tomo antialérgico. E quando você tiver cem anos, eu troco suas fraldas geriátricas”.

E claro, uma velhinha sentada ao lado do interesse amoroso vai olhar pra ele e dizer: “O que você está esperando? Vai atrás dele!”.

E por que a velhinha age dessa forma? Porque o protagonista passou por lugares estranhos, se adaptou, descobriu sua verdadeira força e agora está de volta. Em uma história de amor, agora ele é capaz de amar. Em um filme de Kung Fu, ele está apto para Kungfuzar a porra toda.

Um truque importante é lembrar o público que o protagonista mudou por conta do que aconteceu na parte inferior do círculo. Na dúvida, olhe para a parte oposta desse passo: o passo 4, a estrada de tentativas. Lembre daquele isqueiro Zippo que alguém deu a ele no caminho? Acabou de bloquear uma bala! Lembra do gago que recita um monólogo perfeito em Shakespeare Apaixonado? E por que isso não é Deus Ex Machina? Porque o protagonista conquistou lá trás, no passo 4.

Em Duro de Matar, após matar cada terrorista, McClaine agora está de pé, quase pelado, em frente a sua esposa. Mas há um problema: Hans Gruber o seguiu de volta até o seu mundo comum e ameaça sua esposa com uma arma.

Às vezes os alienígenas conseguem atravessar seu portal, ou T-Rex começam a caminhar pelo quintal dos vizinhos. Isso pode acontecer em histórias com conflitos de vida ou morte, onde voltar ao mundo comum pode ser perigoso e caótico. A coisa pode ficar suja. O protagonista pode arrastar um pouco de caos pro seu mundo. Os universos se colidem. Assim como Ullyses, que volta para casa e descobre 50 caras musculosos tentando conquistar sua esposa. É hora de limpar a casa.

Felizmente, John McClaine passou toda sua jornada aprendendo novos comportamentos e aprendeu que, às vezes, o melhor ataque é se entregar. Ele larga sua submetralhadora. Hans Gruber acredita que agora ele tem o que o protagonista queria desde o início: Controle. E, como todo bom vilão, ele aproveita a oportunidade para apontar a submetralhadora de volta para John.

Mas a arma estava descarregada. John colocou suas últimas duas balas em sua pistola de policial, que ele tinha no avião e que agora está presa em suas costas por… uma fita de Natal. Ok, olha, é um roteiro muito bom até essa parte. De qualquer forma, John tira a pistola, atira em Hans Gruber, acerta o capanga e corre para salvar sua esposa, que está prestes a cair pela janela. John só consegue salvá-la por que solta o Rolex que um colega de trabalho deu a ela no passado. O relógio, e Hans, caem e o diretor de Breakfast Club diz: “Espero que não seja um refém”, finalizando o maior filme de ação do século.

Mas se de repente aparecesse um lobisomem para comer todo mundo? Agora você tem uma versão com lobisomem e outra sem. Qual delas conta uma história? Não importa o quanto lobisomens sejam legais, você sabe a resposta.

Você sabe de tudo isso instintivamente. Você é um contador de história. Você nasceu assim.

“Esse texto é uma adaptação do texto original e de uma apresentação da teoria.”

 

Convite:

Se você gostou desse post, ou tem uma sugestão, deixe seu comentário e vamos conversar. Seu feedback me incentiva  e acredito que podemos aprender muito com essa troca. Você também pode acompanhar as publicações curtindo a página do Facebook. Caso queira participar de uma pequena comunidade de roteiristas, com a intenção de compartilhar conhecimento e conhecer novas pessoas, entre em nosso Grupo. Eu posto novos textos toda terça-feira, às 20h.

Entrevista com Matheus Souza – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Matheus Souza escreveu e dirigiu seu primeiro longa ainda na faculdade e atraiu a atenção de produtores e canais para o seu trabalho, principalmente pela maneira em que escreve seus diálogos. Matheus é roteirista e diretor de “Apenas o Fim”, “Eu não tenho a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida” e a série “Vendemos Cadeiras”. Nesta entrevista, Matheus solta o verbo sobre seu processo de trabalho, sua trajetória e seus trabalhos atuais.

Entrevista com Matheus Souza – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.