Entrevista com Matheus Souza – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Matheus Souza escreveu e dirigiu seu primeiro longa ainda na faculdade e atraiu a atenção de produtores e canais para o seu trabalho, principalmente pela maneira em que escreve seus diálogos. Matheus é roteirista e diretor de “Apenas o Fim”, “Eu não tenho a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida” e a série “Vendemos Cadeiras”. Nesta entrevista, Matheus solta o verbo sobre seu processo de trabalho, sua trajetória e seus trabalhos atuais.

Entrevista com Matheus Souza – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.

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Entrevista com Décio Coimbra – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Décio Coimbra trabalhou 18 anos na Globo, deu aulas de roteiro, formou novos roteiristas dentro da emissora na Oficina de Roteiristas e fez muitos scriptdoctorings ao longo de toda sua carreira. Décio também escreveu Malhação e Anos Radicais. E agora compartilha com a gente sua trajetória, dicas de roteiro e situações bizarras que vivenciou como roteirista.

Entrevista com Décio Coimbra – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

 

Entrevista com Patrícia Corso – Podcast “Primeiro Tratamento”

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Para todos aqueles que estão trilhando o caminho da comédia dentro do universo do roteiro, esta entrevista é uma aula sobre o mercado e dramaturgia. Patricia Corso é uma roteirista que despontou no mercado com os filmes “Meu Passado Me Condena 1 & 2”, “Bruna Surfistinha” e “Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!”. Durante a entrevista, Patricia conta sobre os bastidores de seus roteiros, dificuldades e adaptações; tudo que precisamos para conhecer melhor a profissão de roteirista.

Entrevista com Patrícia Corso – Podcast “Primeiro Tratamento”

O Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.

Entrevista com Alexandre Pimenta – Podcast “Primeiro Tratamento”

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É com muito orgulho e alegria que anuncio aqui uma parceria com o Podcast “Primeiro Tratamento”, criado em 2017 por Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, que reúne uma série de entrevistas com diversos roteiristas brasileiros. Dicas de roteiro, trajetórias como roteiristas, dificuldades e tudo que você precisa saber para ficar por dentro do mercado. Eles publicam novas entrevistas todas quartas-feiras no site oficial do podcast, no iTunes e em outros aplicativos.

E para começar nossa série de Podcasts com os episódios do “Primeiro Tratamento”, trago para vocês o primeiro convidado: Alexandre Pimenta, roteirista de “Tá no Ar”, com trabalhos no “Caldeirão do Huck” e “GNT”. Durante a entrevista, Alexandre narra sua trajetória como roteirista e oferece insights sobre a carreira.

Podcast “Primeiro Tratamento” #1: Alexandre Pimenta

Bruno Bloch é roteirista do longa-metragem “B.O.” e “Tamo Junto”. Para TV, foi co-criador e roteirista da série “Vendemos Cadeiras”, exibida no Multishow. Escreveu também a websérie “Voluntários 343” e a peça “O Diabo Não Pode Ser Pop”.

Filippo Cordeiro é roteirista da websérie “Desafio Além da Conta”, com Ingrid Guimarães, e  da segunda temporada de “Fale Conosco”, com Júlia Rabelo. Também escreveu os curtas “Sinais” e “Perto Demais”.

Dicas de Escrita e Estilo

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Em minhas aulas de formatação de roteiro na PUC-Rio, percebo que estou metade do tempo passando a matéria para os alunos, e na outra metade tentando ensinar como o texto e seu conteúdo é mais importante do que a forma. Apesar da formatação ser um ponto base para que um roteiro seja criado, acredito que é necessário muito mais para contar uma boa história. Além de bons personagens, uma estrutura sólida e diálogos interessantes, há algo que poucos roteiristas se preocupam: a escrita.

Dificilmente você verá em algum manual de roteiro ou em algum curso um professor/roteiristas falar sobre a escrita em si. A base do roteiro é dramaturgia, então por que nos preocuparmos com estilo, pontuação, gramática e etc? Porque alguém ainda vai ler aquilo. E uma das mais poderosas ferramentas para envolver o leitor é uma boa escrita. Tarantino disse em uma entrevista que se preocupa em que cada página de seu roteiro seja uma leitura boa. E olha que é ele mesmo quem dirige suas histórias.

Como diz Coral Cruz em seu livro “Imágenes Narradas: Cómo hacer visible lo invisible em um guión de cine”, o roteiro deve ser um sonho: uma obra capaz de te envolver em outra realidade sem que você perceba que está sonhando. Qualquer desvio da atenção do leitor, seja um erro de gramática, um diálogo fraco ou um ponto de virada estranho, vai tirá-lo desse universo que criamos e, consequentemente, afetar a percepção sobre a história. Um roteiro com uma boa formatação e uma boa escrita já sai na frente de muitos outros projetos justamente porque nos envolvemos mais.

Pensando nisso, resolvi traduzir um resumo feito por Gonzalo Martín Vivaldi, professor e jornalista, com dicas básicas de escrita e estilo. Tudo encontrado nesse texto pode servir tanto para roteiro quanto para literatura. Acredito que com o estudo e com a prática, tais conselhos já entrarão em seu processo criativo automaticamente e deixará seu texto muito mais interessante. Mas lembrem-se, uma boa história também depende de bons personagens, estrutura, conflitos e diálogos. Essas dicas são apenas para destacar seu trabalho entre tantas outras boas histórias.

  1. As palavras são as ferramentas do escritor. E, como em toda profissão, é imprescindível o conhecimento das ferramentas de trabalho. Nossa base é o conhecimento do vocabulário. O uso da palavra exata e apropriada é uma das regras fundamentais do estilo. Como o pintor deve conhecer as cores, o escritor deve conhecer as palavras.
  2. Sempre tenha um bom dicionário em sua mesa de trabalho. Recomenda-se um dicionário etimológico e um de sinônimos.
  3. Sempre que for possível, antes de escrever, faça uma escaleta ou um rascunho.
  4. Convém ler assiduamente bons roteiros/livros. O estilo, como a música, também se “pega”. Lemos e nos acostumamos com um estilo ou um formato. Excelente dica para quem está começando tanto no roteiro quanto na literatura.
  5. “É necessário escrever com a convicção de que só existem duas palavras: o verbo e o substantivo. Fique atento contra as outras palavras” (Veulliot).
  6. Evite os verbos fáceis (fazer, pôr, dizer, etc), e as palavras-muletas (coisa, tipo, algo, etc).
  7. O uso de adjetivos deve ser o mais exato possível. Não abuse. “Se um substantivo precisa de um adjetivo, não use DOIS” (Azorín). Evite a duplicidade dos adjetivos.
  8. Não explique demais. As ações narradas de forma limpa convencem muito mais do que adjetivos e reflexões.
  9. Também não abuse dos advérbios, principalmente os que terminam com “mente” (irritadamente, perfeitamente, etc). Alongam e atrasam a narrativa.
  10. Coloque os advérbios mais perto dos verbos a que se referem para deixar mais claro.
  11. Evite as preposições (com, de, por) em excesso. O acúmulo de preposições soa estranho (assonância) e compromete a elegância do estilo.
  12. Não abuse das conjunções parasitárias: “que”, “mas”, “ainda que”, “assim como”, e outras que aumentam ou desaceleram o ritmo da frase.
  13. Não exagere nos pronomes. E, principalmente, tenha extremo cuidado com o uso do possessivo “seu” – o pesadelo da frase – que é causa de anfibologia (duplo sentido).
  14. Cuidado com o uso de gerúndios. Lembre-se de que são uma oração adverbial subordinada (de modo). E, na dúvida, substitua por outra forma verbal.
  15. Tenha em mente que a pontuação é a respiração da frase. Não há regras absolutas de pontuação; mas não se esqueça que uma frase mal pontuada fica confusa.
  16. Não use palavras rebuscadas. Entre o vocabulário de origem popular e o culto, prefira sempre o primeiro. Evite também o excesso de tecnicismo e explique o significado das palavras técnicas quando não sejam de uso comum.
  17. Cuidado com barbarismos e solecismos. E quanto ao neologismo, tenha a mente aberta. Não se esqueça que o idioma está em contínua formação e que o conservadorismo linguístico vai contra o desenvolvimento normal do idioma.
  18. Prefira a voz ativa.
  19. Não abuse dos adendos e dos parênteses. Ajuste-os para que não sejam longos.
  20. Não abuse das orações relativas e tente não distanciar o pronome relativo “que” do seu antecedente.
  21. Evite as palavras supérfluas. Risque tudo que não esteja relacionado com a ideia fundamental da frase ou parágrafo.
  22. Evite as repetições excessivas; mas tenha em conta que, às vezes, é melhor a repetição de uma palavra do que o sinônimo rebuscado. Repetir é legitimo quando se quer fixar a atenção em uma ideia e sempre que não soe mal ao ouvido.
  23. Se você utilizar um sinônimo para evitar a repetição, tente usar um que não seja tão estranho. Economize o tempo do leitor de consultar um dicionário.
  24. A construção da frase não está limitada por regras. Mas tenha em mente a ordem sintática (sujeito, verbo, complemento) e a ordem lógica.
  25. Como norma geral, nunca coloque o verbo no final da frase.
  26. A ordem lógica exige que as ideias se coloquem segundo a ordem do pensamento. Destaque a ideia principal.
  27. Para a compreensão entre as orações, tente ligar a ideia inicial de uma frase com a ideia final da frase anterior.
  28. A construção harmoniosa evita as repetições que soem estranho, a cacofonia, a monotonia (efeito da pobreza de vocabulário) e as assonâncias e consonâncias.
  29. Nem a monotonia de frases curtas (o abuso do ponto e vírgula), nem a lentidão das frases longas. Conjugue as frases curtas e longas segundo o que exija o sentido do parágrafo para a musicalidade das frases.
  30. Evite as transições bruscas entre parágrafos diferentes. Procure juntar com habilidade para que não percebam as transições.
  31. Lembre-se que o estilo direto tem mais força – é mais visual – do que o estilo indireto.
  32. A linguagem é um meio de comunicação e as qualidades fundamentais do estilo são: a clareza, a concisão, a simplicidade, a naturalidade e a originalidade.
  33. A originalidade do estilo reside, de modo quase exclusivo, na sinceridade.
  34. Além do estilo, defina o tom da narrativa, que é o estilo adaptado ao tema.
  35. Fuja das frases prontas e do lugar comum. E não se esqueça que a metáfora só vale a pena quando agrega força expressiva e é precisa no que se escreve.
  36. Evite a sugestão sonora das palavras. “Quando se permite o predomínio da sugestão musical começa a decadência do estilo” (Middleton Murry). A qualidade essencial da boa escrita é a precisão.
  37. Pense devagar para escrever rápido. Não sente no computador até que não veja claramente a linha da história.
  38. Releia o que foi escrito como se fosse de outra pessoa. E não duvide nunca em apagar o que considerar supérfluo. Se puder, releia em voz alta: assim descobrirá defeitos no estilo e tom que escaparam na primeira leitura.
  39. Enfim, a autocrítica excessiva pode esterilizar a originalidade, a espontaneidade, a personalidade e o próprio estilo. Sempre que for possível esqueça todas as regras que já estudou na hora da escrita. Recorra a elas só nos momentos de dúvida. Escrever é pensar, e não se deve prender o pensamento dentro da tradição gramatical ou linguística.

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Como escrever um bom final

O Show de Truman

Após atravessar e sobreviver(ou não!) toda a jornada, o protagonista se transforma e passa a viver uma nova vida, carregada de aprendizados. Seja voltando para casa ou continuando a aventura, nada será como antes pois o desequilíbrio provocado pelo detonante foi solucionado e um novo status quo foi estabelecido. Este é o momento final de nossa história, a resolução.

Uma boa resolução deve solucionar, de forma surpreendente e com elementos da própria narrativa, todos os conflitos formados nas tramas e subtramas, desde que o protagonista consiga o que quer e não o que necessita; ou consiga o que necessita, mas não o que quer; ou não consiga nenhum dos dois; ou, por último, consiga ambas as coisas. Uma história deve terminar da mesma forma que uma frase: com um ponto final (final fechado), um ponto de exclamação (final surpreendente), um ponto de interrogação (final ambíguo) ou reticências (final aberto).

Sobre as subtramas, há uma regra de ouro: as subtramas devem ter três ou mais cenas distribuídas ao longo da história e na resolução (ou no clímax) devem ser retomadas e resolvidas. Todo personagem deve terminar a jornada com uma transformação.

O encerramento dos conflitos é tradicional na narrativa ocidental, seguindo a imagem de um ciclo que se chega ao fim, mas há um forte crescimento dos finais abertos. Como diz Christopher Vogler, “desse ponto de vista, a narrativa da história prossegue, mesmo depois de a história ter chegado ao fim – pois continua na mente e no coração do público. Os escritores que defendem o final aberto preferem deixar a conclusão moral a cargo do espectador ou leitor. Algumas perguntas não têm respostas, outras têm muitas. Algumas histórias não terminam com a resposta e as soluções dos enigmas, mas apresentando novas perguntas, que ressoam na plateia muito depois de a história haver terminado”.

Segundo McKee, a resolução é tudo que acontece após o clímax até o final do filme e tem três usos possíveis: atingir o clímax de uma trama secundária, apesar de ser altamente recomendável que isso aconteça antes do clímax principal – já que nada vai ser mais emocionante. Mostrar a repercussão do clímax já que muitas vezes é preciso mostrar as reações em cadeia nos outros personagens da história. Oferecer uma cortesia para a audiência não ir embora ainda tonta com as emoções do clímax – já imaginou se um filme acaba logo após a batalha final? Isso, no teatro, se chama cortina lenta. Uma ou mais cenas que faça o público respirar fundo, ajustar os pensamentos e deixar o cinema com dignidade.

Para não decepcionar o espectador com o final de sua história, tente evitar um término abrupto, de forma apressada, ou um final prolongado que provoca bocejos no cinema. A resolução é onde se estabelece a mensagem de sua história e a percepção do público sobre o filme, por isso é tão importante tê-la em mente antes de escrever o roteiro. Não saber o final é como dirigir por uma estrada sem saber o destino.

Exemplos de bons finais (sem spoiler!):

  • O Show de Truman (fechado)
  • Chinatown (aberto)
  • Moonlight (fechado)
  • Manchester à Beira Mar (aberto)
  • O Suspeitos (surpreendente)
  • A Origem (ambíguo)
  • Os Incompreendidos (aberto)

Material complementar para estudo:

  • Livro “Story”, de Robert McKee
  • Livro “O Roteiro de Cinema”, de Michel Chion
  • Livro “A Jornada do Escritor”, de Christopher Vogler

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Como Escrever Sua História: Método Snowflake

COMO ESCREVER SUA HISTória (4)

Antes de começar a escrita, é recomendável ao escritor/roteirista a se organizar. É preciso colocar todas aquelas ideias maravilhosas no papel de uma forma que possa usá-las mais tarde. Por que? Porque a nossa memória pode falhar, e sua criatividade provavelmente deixou alguns buracos na sua história que precisam ser preenchidos antes de começar a escrever. Todos precisam de um documento de organização que use um processo que não destrua seu desejo de contar a história.

Para ajudar vocês no processo criativo da escrita, traduzi livremente um artigo de Randy Ingermanson, que criou o Método Snowflake: Os Dez Passos do Design de Histórias. Seu processo de escrita se baseia na formação de um floco de neve, que é formado a partir de um grão de poeira (a ideia) que se envolve com vapor d’água das nuvens e forma um cristal de gelo que se expande cada vez mais. Nenhum floco de neve é igual ao outro, assim como nenhum livro/roteiro. Mesmo que a ideia (o grão de poeira) seja o mesmo, o processo criativo de cada um irá formar um projeto completamente diferente um do outro. Para organizar o trabalho prévio ao da escrita – e assim facilitar MUITO o processo – recomenda-se começar com algo pequeno e ir acrescentando elementos à sua história pouco a pouco. Abaixo, mostro para vocês uma versão atualizada e adaptada do Método Snowflake para que sirva tanto para roteiro de Cinema, Tv e Internet quanto para livros de ficção, contos, fanfics, etc.

Passo 1) Em uma hora, escreva uma frase que resuma sua história.  A ideia dramática. Algo assim: Uma família disfuncional viaja 2.000km em uma Kombi para levar a filha caçula para um concurso de beleza, mas deve lidar com as dificuldades e inseguranças de cada membro e a morte do patriarca durante o trajeto.. Te remete a algo? A ideia dramática vai sempre te servir como uma peça de venda de 10 segundos. Esse é nosso grão de poeira que irá se transformar num floco de neve.

Quando você for escrever seu projeto de filme/série/livro, a ideia dramática será uma das primeiras coisas a se mostrar. Servirá como um gancho para vender seu projeto para uma editora, uma produtora ou um fundo de financiamento. Dê o seu melhor nesta frase!

Algumas dicas para construir uma boa ideia dramática:

– Quanto mais curto, melhor.

– Sem nomes de personagem! É melhor dizer “um trapezista deficiente físico” do que “Jane Doe”. Ninguém sabe quem é Jane Doe.

– Arranje na mesma frase um quadro geral e um ponto de vista. Qual personagem tem mais a perder na história? Agora me diga o que ele quer.

– Leia ideias dramáticas no New York Times Bestseller List para aprender a como escrever um. Escrever uma frase que descreva sua história é uma forma de arte!

– Para mais informações de como escrever uma ideia dramática, consulte o texto: Ideia Dramática: A Essência de Sua História 

Passo 2) Reserve outra hora e expanda seu logline até formar um parágrafo descrevendo a apresentação da história, o desenrolar e a conclusão. Esta é a storyline. Você pode usar esse parágrafo para apresentar seu projeto. Idealmente, uma storyline tem cerca de cinco frases/linhas. Não confunda isso com os textos na contracapa de livros ou no verso de DVDS (esse tipo de texto só conta a apresentação da história).

Passo 3) O que vimos anteriormente te dá um panorama geral de sua história. Agora você precisa pensar nos personagens. Os personagens são a parte mais importante de qualquer história, e o tempo que você investe criando-os irá recompensar à medida que você escreve. Para cada personagem principal, reserve uma hora de seu tempo e escreva uma lauda que contenha:

– O nome do personagem

– Um logline do seu personagem

– A motivação do personagem (o que ele quer abstratamente?)

– O objetivo do personagem (o que ele quer concretamente?)

– O conflito do personagem (o que impede que ele conquiste seu objetivo?)

– A descoberta do personagem (O que ele irá aprender? Como ele irá se transformar?)

– Um parágrafo contando o backstory do personagem

Um ponto importante: Você talvez sinta a necessidade de voltar a esse documento para revisar algumas coisas. Isso é inevitável e é ótimo. É melhor revisar este documento do que um roteiro/livro com centenas de páginas.

Outro ponto importante: Não precisa ser perfeito. O objetivo de cada passo é avançar para o próximo. Mantenha-se em movimento. Você sempre poderá voltar depois e melhorar quando entender melhor sua história.

Passo 4) Bom, até esse passo você deve ter gastado um dia ou dois e já tem uma ideia geral sobre a estrutura de sua história. Agora, apenas amadureça a ideia. Gaste horas e horas para expandir cada frase de sua storyline em um parágrafo completo até formaruma sinopse. Cada parágrafo deve terminar com um movimento importante da história (detonante, ponto de virada, midpoint, etc). Para mais informações sobre estrutura básica, dê uma olhada no texto A Estrutura de Três Atos.

Essa parte é a mais divertida! E no final desse trabalho você terá sua sinopse (não confundir com sinopses de jornais ou capas de dvds). A sinopse é um documento de uma a duas páginas que contém a estrutura de sua história. Tudo bem passar um pouquinho. O que importa é que sua história está crescendo. Você está expandindo o conflito.

Passo 5) Em um ou dois dias, escreva uma lauda descrevendo cada personagem principal e meia página para descrever cada personagem secundário. Esse texto deve contar a história do ponto de vista de cada personagem. É o arco do personagem. Como sempre, sinta-se livre para voltar aos estágios anteriores e fazer revisões à medida que descobre coisas novas sobre seus personagens.

Passo 6) Até agora você já tem uma história sólida e personagens bem elaborados. Para esse passo, pegue uma semana e expanda sua sinopse até um argumento. Cada parágrafo da sinopse deve ser elaborado até se tornar uma página de argumento. Isso te dará um argumento entre cinco e dez páginas. Isso é bem divertido porque você está descobrindo a lógica interna da história e fazendo decisões estratégicas. O argumento é um resumo de sua história, contado em forma de prosa. Reserve um dia para voltar aos passos anteriores e corrigir o que estiver ultrapassado.

Passo 7) Em uma semana, pegue os arcos dos personagens e escreva suas biografias: tudo que precisamos saber sobre os personagens. Descrições físicas, psicológicas, sociais, etc. E o mais importante: como seu personagem se transformará no final da história? Essa é uma expansão do passo 3 e te ensinará muito sobre seus personagens. Você provavelmente precisará voltar para os passos anteriores porque os personagens começarão a fazer demandas na história. Gaste o tempo que for necessário. Quando você terminar esse processo (o que deve levar um mês até aqui), você já tem o necessário para montar um projeto de filme, série ou livro. Se você tem os contatos, pode tentar vender o projeto antes mesmo de escrevê-lo. Se você nunca teve nada produzido antes, é mais aconselhável escrever tudo antes de tentar vender. Eu sei, não é justo, mas é assim que o mercado funciona. Caso queira utilizar uma técnica nova para a criação de personagens, dê uma olhada no texto Como criar personagens complexos.

Passo 8) Você talvez precise de uma pausa por enquanto, mas em algum momento precisará escrever seu projeto. Antes disso, há algumas coisas que você pode fazer para deixar essa experiência menos traumática. A primeira coisa a fazer é pegar seu argumento e transformar em um outline: uma lista de todas as cenas que sua história terá. Você pode fazer isso num pedaço de papel, numa planilha do excel ou, mais profissionalmente, no seu programa de roteiro ou de escrita.

Construa seu outline com uma linha para cada cena. Descreva o que acontece de mais importante em cada uma e avance a história cena a cena até chegar ao fim. Se você estiver escrevendo um livro, divida por capítulos e dentro de cada divisão faça uma listagem das cenas. O outline ajuda a ter uma visão geral da história, com ritmo, tom, arcos, etc. Fica mais fácil de reordenar a história, caso necessário. Se sua história tiver diferentes personagens principais, escreva as cenas com cores diferentes para diferenciar os pontos de vista de cada personagem.

Um outline deve ter de 80 a 120 linhas (depende de cada projeto). A medida que o projeto avança, faça novas versões do outline. É uma ferramente poderosa para analisar a história. Gaste uma semana para fazer um bom outline.

Passo 9) Volte para sua máquina de escrever e comece a escrever uma descrição narrativa de sua história. Pegue cada linha do outline e expanda em um ou mais parágrafos de descrição para cada cena. Coloque até algumas falas interessantes e esboce o conflito essencial de cada cena. Se não há conflito, você irá descobrir neste passo e deve acrescentar um ou apagar a cena. Essa ferramenta se chama escaleta. Se você está escrevendo um roteiro, ponha o cabeçalho no início de cada cena.

Quando tiver terminado, imprima tudo e revise. Ter a escaleta em mãos te dará a ótima sensação de já estar escrevendo sua história. Esse processo dura cerca de uma semana e produzirá um documento de 20 a 50 páginas (depende MUITO do tipo de obra, um roteiro de longa-metragem costuma ter entre 20 a 35 páginas; um livro de 400 páginas chega a ter 50 páginas de escaleta. Tudo depende do nível de descrição). Sempre que acordar de manhã e tiver uma nova ideia, escreva-a neste documento, no final de cada cena. Pode ser bem divertido, principalmente se já possuir os outros 8 passos completos. Mantenha esse documento só para você, este é o protótipo de sua primeira versão!

Passo 10) Nesse ponto, apenas sente em seu computador e comece a escrever seu livro/roteiro. Você vai se assustar com a velocidade que a história flui neste ponto do processo. Você irá escrever muito mais rápido e muito melhor do que escritores/roteiristas que escrevem sem planejamento. Você pode pensar que, nesse ponto, toda sua criatividade já foi utilizada para a história. Mas não é bem assim. Há pequenos problemas que precisam ser solucionados cena a cena. Como o herói deve escapar de três jacarés e resgatar a princesa dentro do bote em chamas? Esse é o momento de pensar nisso! Mas continua sendo divertido porque você já sabe como seu projeto funciona em nível estrutural. Então, neste passo, você lida apenas com pequenos problemas e assim escreve muito mais rápido.

Muitos escritores e roteiristas reclamam de como é difícil escrever a primeira versão de seus projetos. Isso é porque eles não fazem ideia do que virá na cena seguinte. A vida é curta demais para escrever assim. Por que gastar 500 horas escrevendo um projeto sofrível se você pode escrever uma boa primeira versão em 150?

Lá pelo meio do caminho, é importante voltar para os documentos que você escreveu e atualizá-los. Sim, essas ferramentas não são perfeitas. Elas não são mandamentos inscritos em pedra, são peças em desenvolvimento que crescem à medida que a história amadurece. Se o método Snowflake funcionar para você, ótimo! Fico feliz em poder ter ajudado.

Para terminar, um resumo de cada passo:

Passo 1: Logline – escreva sua história em uma frase. (Tempo: 1h)

Passo 2: Storyline – escreva sua história em um parágrafo. (Tempo: 1h)

Passo 3: Personagem – escreva uma página sobre cada personagem. (TEMPO: 1h cada)

Passo 4: Sinopse – escreva uma sinopse de uma a duas páginas. (Tempo: 1 a 2 dias)

Passo 5: Personagem II – escreva uma página com o arco de cada personagem (Tempo: 1 a 2 dias)

Passo 6: Argumento – escreva sua história em cinco a dez páginas. (Tempo: 1 semana)

Passo 7: Personagem III – escreva uma a duas páginas com a biografia de cada personagem. (Tempo: 1 semana)

Passo 8: Outline – escreva sua história em uma linha para cada cena. (Tempo: 1 semana)

Passo 9: Escaleta – escreva sua história em um ou mais parágrafos para cada cena. (Tempo: 1 semana)

Passo 10: Roteiro/Livro – escreva sua história do início ao fim! (Tempo: extremamente variável, mas pode levar entre duas semanas a um mês)

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